Viajar para Madagáscar é uma experiência única, mas é bom tomares algumas precauções sanitárias para aproveitares a viagem com total segurança.
Não há nenhuma vacina obrigatória para entrar em Madagáscar.
Só é exigida a vacina contra a febre amarela se vieres de países onde essa doença existe (principalmente alguns países da América do Sul e de África), já que em Madagáscar ela não existe. É importante teres em conta que, se vieres de algum desses países ou fizeres uma escala de mais de 12 horas num país onde há febre amarela, o Madagáscar vai pedir-te a cartilha de vacinação contra esta doença.
Em geral, para viajar para Madagáscar, costuma-se recomendar vacinas contra a febre tifóide, a hepatite A e B, o tétano e a difteria, o sarampo, a rubéola, a varicela e, em alguns casos, a raiva. Também se aconselha a profilaxia antimalárica e medidas rigorosas contra as picadas de mosquito. Consulta o centro de vacinação internacional da tua cidade.
Por que é que deves preparar um kit de primeiros socorros com especial cuidado quando viajas para destinos exóticos como Madagáscar?
Viajar para países distantes e pouco conhecidos exige que sejas extremamente cuidadoso no que diz respeito ao kit de primeiros socorros de viagem. As condições sanitárias, ambientais e de segurança podem ser muito diferentes das que conheces. Eis as principais razões:
1. Risco de doenças e problemas de saúde locais
- Maior risco de infeções: nestes locais, são frequentes doenças como a malária, a tuberculose, a esquistossomíase… que são pouco comuns no teu país de origem.
- Vacinas e tratamentos específicos: recomenda-se a profilaxia contra a malária ou outras vacinas que não fazem parte do kit de primeiros socorros comum.
2. Limitações dos cuidados de saúde
- Serviços de saúde desiguais: nas zonas rurais ou isoladas, as infraestruturas podem ser muito limitadas ou inexistentes.
- Acesso restrito aos medicamentos: os medicamentos podem ser difíceis de encontrar ou não cumprir as normas de qualidade.
3. Fatores ambientais extremos
- Clima e ambiente: calor intenso, humidade elevada, altitude ou florestas densas aumentam o risco de insolação, desidratação, picadas ou infeções.
- Fauna e flora: animais, insetos ou plantas tóxicas podem representar um perigo adicional.
4. Diferenças em matéria de higiene e saneamento
- Alimentos e água: beber água não tratada ou comer comida mal cozinhada pode causar diarreia do viajante e infeções intestinais.
- Hábitos de higiene: as condições de saneamento locais podem não ser tão rigorosas, o que aumenta o risco de contágio.
5. Maior risco de acidentes
- Turismo ativo e de aventura: atividades como caminhadas, mergulho ou trekking aumentam o risco de lesões.
- Transportes e segurança rodoviária: as regras de trânsito costumam ser menos rigorosas e podem aumentar o risco de acidentes.
Outras considerações sobre saúde e prevenção da Indigo Be
Não te esqueças do mais importante!
1 MÊS ANTES DA VIAGEM
- Consulta médica prévia: dirige-te a um centro especializado em medicina do viajante para tomares vacinas como as da hepatite A e B, da febre tifóide, entre outras, bem como para a profilaxia da malária (atovacuona-proguanil, doxiciclina ou mefloquina).
- Pesquisar o destino: conhecer os riscos específicos para a saúde e o ambiente ajuda a preparares-te melhor.
- Aconselhamos que comeces a tomar probióticos cerca de 15 dias antes da viagem para proteger a flora intestinal, já que, entre o tratamento contra a malária e a mudança na alimentação, é comum teres problemas de estômago. Percebemos que os viajantes que tomam isto evitam, em grande parte, a diarreia do viajante. (Recomendação da Indigo Be).
- Seguro de saúde internacional: É OBRIGATÓRIO que ofereça uma cobertura mínima em caso de doença, direito a evacuação em caso de emergência e repatriação. A assistência fora de Antananarivo é limitada e as evacuações aéreas são caras. Aconselhamos que faças um seguro de saúde que inclua evacuação e repatriação, pois, em caso de doença grave ou acidente, é preferível seres atendido na vizinha Ilha da Reunião, dada a escassez de hospitais, material e pessoal qualificado em Madagáscar.
Muitas seguradoras já oferecem cobertura no estrangeiro; se já tiveres um seguro, é melhor ligares para verificar se está coberto sem teres de adicionar nenhum suplemento ou extensão. Cada vez mais alojamentos em zonas isoladas em Madagáscar exigem um seguro médico de evacuação para que possas ficar lá.
Se quiseres, temos um código de desconto para contratares o teu seguro com a IATI. - Cartão de vacinação: sobretudo nos casos em que viajares de zonas endémicas de febre amarela ou se tiveres feito uma escala de mais de 12 horas. Ou nos casos em que o viajante ainda não esteja totalmente vacinado contra a raiva, para poder comprovar, em caso de mordida ou arranhão, que já recebeu as primeiras doses.
- App. Famba: descarrega a aplicação do Hospital Clínico de Barcelona
https://web.fambaproject.com leva um médico do Hospital Clínico de Barcelona contigo durante toda a viagem ☺ baixando esta aplicação. Chat disponível 365 dias por ano, alertas de saúde em tempo real, cuidados de saúde especializados onde quer que estejas… Oferecem pacotes de 1 semana a 1 ano a partir de 5,49 €. - Kit completo de primeiros socorros para viagem a Madagascar
Ter um kit de primeiros socorros bem abastecido pode fazer toda a diferença. Estes são os itens mais recomendados, embora você deva sempre consultar um médico ou farmacêutico antes de montar um:- Tem sempre à mão um kit de primeiros socorros de viagem completo com os teus medicamentos pessoais. As farmácias das principais cidades de Madagáscar têm todo o tipo de medicamentos, mas é aconselhável levá-los do teu país de origem. Em zonas isoladas, vai ser difícil encontrar uma farmácia e, mesmo que a encontres, é possível que não tenha o medicamento de que precisas.
- Se fores viajar com medicamentos específicos, lembra-te sempre de juntar a receita médica e o relatório (se possível) e de os levar na bagagem de mão, para o caso de a mala despachada se perder.
- Analgésicos e anti-inflamatórios (paracetamol, ibuprofeno).
- Antidiarreico: em caso de diarreia, como primeira opção, recomendamos o Tiorfan a cada 8 horas (sem receita médica) e, como segunda opção, recomendamos o Fortasec, desde que a diarreia não venha acompanhada de febre, muco nem sangue nas fezes.
- Antibióticos de amplo espectro e pomada antibiótica (com receita médica).
- Antihistamínicos para alergias.
- Cremes calmantes para irritações cutâneas.
- Medicação para o enjoo (Biodramina). Biodramina (se tiveres tendência para enjoar): a maior parte do percurso nas Terras Altas (no circuito sul) é em estradas sinuosas.
- Purificador de água: há a opção em pastilhas ou em líquido. Os purificadores líquidos têm de ser dosificados de acordo com os litros de água. Se vais viajar para zonas remotas.
- Sais de reidratação oral: não é preciso receita médica. O soro oral é importante em caso de diarreia ativa para repor líquidos e evitar a desidratação causada pela perda de sais minerais. Vem em saquetas e deve ser misturado com uma garrafa de água potável.
- Gaze, pensos rápidos, tesouras, agulhas esterilizadas, seringas esterilizadas, fita adesiva, pensos para feridas, pensos tipo «segunda pele» (como os Compeed, se fores fazer caminhadas), pinças e luvas descartáveis
- Toalhitas desinfetantes e/ou soluções antissépticas (clorexidina).
- Termómetro digital
- Repelente de mosquitos com DEET ou icaridina, tipo Relec Extra Forte (50% de DEET e geraniol para uma proteção máxima e duradoura, além de extratos de plantas, como óleo de lavanda). Protege até 9 horas contra as espécies de mosquitos mais comuns com uma única aplicação e protege-te até 8 horas contra o Aedes Anopheles e até 4 horas contra o Aedes Aegypti. A partir dos 18 anos.
- Protetor solar de amplo espectro. Creme solar de alta proteção, biodegradável , «ocean respect», «coral safe» ou «reef friendly».
- Manta térmica de emergência.
- Máscaras para situações de risco sanitário.
- Rede mosquiteira: se fores viajar para zonas com risco médio-alto de malária. Recomenda-se, se possível, que esteja impregnada com permetrina.
- Preservativos: são importantes para prevenir doenças sexualmente transmissíveis.
Dicas de saúde para a viagem
- Bebe só água engarrafada ou tratada.
- Evita gelo, legumes crus sem lavar e comida de rua mal cozinhada. Tem cuidado com os talheres nos restaurantes locais.
- Proteção contra insetos: repelente do tipo RELEC FORTE, roupa de manga comprida, rede mosquiteira (embora a maioria dos hotéis tenha redes mosquiteiras, nem sempre estão em bom estado).
- Higiene pessoal: lavar as mãos com frequência, manter as feridas limpas e cobertas.
- Proteção solar: óculos de sol e chapéu.
- Creme solar de alta proteção biodegradável respeita o oceano, seguro para os corais ou amigo dos recifes.
- Não te banhes em rios ou lagos de água doce (se houver risco de esquistossomíase).
- Evita as zonas alagadas ao amanhecer e ao anoitecer.
A nossa experiência pessoal
Nos 20 anos em que estamos a operar fisicamente em Madagáscar, tivemos, entre os nossos viajantes, um caso de malária, um de febre tifóide e um de brucelose ao regressarem ao seu país de origem. Todos estes casos ocorreram nos últimos dois anos. Apesar de serem poucos, achamos que devemos sempre dirigir-nos ao Centro de Medicina Tropical mais próximo para obter as informações atualizadas necessárias e tomar todas as precauções possíveis. É da responsabilidade de cada um tomar as precauções sanitárias necessárias para viajar para Madagáscar.

Saúde e Prevenção em Madagáscar
Esta ficha é informativa. Para recomendações personalizadas, consulta sempre um centro de medicina do viajante antes da viagem.
Doenças a prevenir
1. Malária
Destinos: África Subsariana, algumas partes da Ásia e da América do Sul.
Transmissão: Através das picadas de mosquitos infetados.
Prevenção: Profilaxia antimalárica (medicação preventiva), uso de repelente de insetos com DEET, uso de redes mosquiteiras tratadas com inseticida e roupa de manga comprida e de cores claras.
2. Dengue
Destinos: Sudeste Asiático, América Central e do Sul, África e algumas regiões das Caraíbas.
Transmissão: Através das picadas de mosquitos Aedes infetados.
Prevenção: Usa repelente de insetos, veste roupa protetora e elimina os focos de reprodução de mosquitos à volta do alojamento.
3. Zika
Destinos: América Latina e Caraíbas, África, Ásia e Pacífico.
Transmissão: Através das picadas dos mosquitos do género Aedes, por via sexual e de mãe para filho durante a gravidez.
Prevenção: Usa repelente de insetos, usa preservativos para reduzir a transmissão sexual e evita viajar para zonas de alto risco se estiveres grávida.
4. Chikungunya
Destinos: África, Ásia, América do Sul e Central e as Caraíbas.
Transmissão: Através das picadas de mosquitos Aedes infetados.
Prevenção: Usa repelente de insetos e roupa protetora.
5. Febre tifóide
Destinos: África, Ásia, América Central e do Sul.
Transmissão: Através de alimentos ou água contaminados.
Prevenção: Vacina contra a febre tifóide e boas práticas de higiene alimentar: beber apenas água engarrafada ou purificada, evitar alimentos crus e de origem duvidosa.
6. Hepatite A
Destinos: África, Ásia, América Central e do Sul, Europa de Leste.
Transmissão: Através de alimentos ou água contaminados.
Prevenção: Vacina contra a hepatite A e práticas de higiene alimentar semelhantes às da febre tifóide.
7. Hepatite B
Destinos: África, Ásia, América do Sul e Central, Europa de Leste.
Transmissão: Através do contacto com sangue e outros fluidos corporais.
Prevenção: Vacina contra a hepatite B e evitar partilhar agulhas e material médico não esterilizado.
8. Raiva
Destinos: África, Ásia, América Latina e algumas partes da Europa de Leste.
Transmissão: Através de mordidas ou arranhões de animais infetados.
Prevenção: Vacina pré-exposição se fores viajar para zonas de alto risco, evita o contacto com animais selvagens (lémures, morcegos) e animais de rua (cães), e procura tratamento pós-exposição imediato em caso de mordida.
9. Tuberculose (TB)
Destinos: África, Ásia, América Latina e Europa de Leste.
Transmissão: Pelo ar, através da tosse ou dos espirros de pessoas infetadas.
Prevenção: Evitar o contacto próximo e prolongado com pessoas infetadas e tomar a vacina BCG (em alguns países).
É muito comum em Madagáscar.
10. Peste bubónica e pneumónica.
Ainda há surtos sazonais, sobretudo nas zonas altas centrais (por exemplo, nos arredores de Antananarivo).
11. Esquistossomíase (bilharziose):
Podes apanhá-la em águas doces contaminadas.
12. Gastroenterite e diarreias bacterianas/parasitárias:
São muito comuns, sobretudo em viajantes.
13. Helmintíases intestinais
(vermes, ancilóstomos, etc.).
14. Sarampo:
Tem havido surtos graves nos últimos anos devido à baixa cobertura vacinal.
15. Poliomielite:
Risco baixo, mas a OMS recomenda precaução.
16. Tétano, difteria e tosse convulsa:
É bom ter as vacinas em dia.
MALÁRIA
O que é a malária?
É uma doença infecciosa, grave e mortal, causada por um parasita e transmitida principalmente pela picada de um mosquito. Os sintomas iniciais podem ser parecidos com os da gripe: febre, calafrios, dor de cabeça, dores musculares e cansaço. Também podem ocorrer náuseas, vómitos e diarreia. A coloração amarelada da pele e dos olhos costuma indicar perda de glóbulos vermelhos (anemia).
É contagiosa?
Não. A malária não se transmite de pessoa para pessoa, como uma constipação ou uma gripe, nem por contacto sexual. Mas uma mãe infetada pode transmitir a doença ao bebé antes ou durante o parto. A transmissão por transfusão de sangue não é comum.
O tratamento preventivo vai fazer-me mal?
Normalmente não causa problemas e, sobretudo, se seguires as instruções sobre como tomá-lo. E, mesmo que haja alguns efeitos secundários mínimos, é sempre melhor tomar o medicamento do que ter malária. São muito raros os casos em que se deixa de tomar o medicamento por causa dos efeitos secundários.
O que faço se me tiver esquecido de tomar o medicamento preventivo?
Para um tratamento diário, se ainda não se passaram 12 horas, podes tomar o comprimido e continuar com o esquema habitual. Se já se passaram mais de 12 horas, toma o do dia seguinte, mas não tens de tomar uma dose extra.
No caso de um tratamento semanal, se te esqueceste de tomar a dose, toma-a assim que possível e, depois, espera 7 dias para tomar a seguinte.
Quem pode apanhar malária?
Qualquer pessoa. A maioria dos casos ocorre entre quem vive em zonas de risco, onde a doença é comum. No entanto, as pessoas que vivem em países sem malária podem ser infetadas quando viajam para regiões onde há malária, principalmente por causa da picada de um mosquito infetado.
E se eu vomitar o medicamento?
Se ainda não passou meia hora desde que tomaste o comprimido ou se vires o comprimido quando vomitares, tens de tomar mais um comprimido.
O tratamento preventivo faz mal ao fígado?
Não. Normalmente, não afeta o fígado.
Se estiver grávida ou quiser engravidar, é aconselhável viajar para locais onde há malária?
Não. Nesses casos, é melhor não viajar para zonas onde há risco de malária e, em qualquer caso, consultar sempre um profissional de saúde. A malária pode afetar a placenta e causar anemia na grávida, que, devido à sua condição, costuma ter as defesas mais baixas. Além disso, alguns tratamentos preventivos são contraindicados durante a gravidez.
A malária tem cura?
Se for diagnosticada malária, a equipa médica vai indicar qual é o tratamento adequado.
É preciso dar medicamentos para prevenir a malária a bebés e crianças?
Sim, mas nem todos os tipos de medicamentos disponíveis. Além disso, vais ter de ajustar as doses
um profissional de saúde, de acordo com o peso da criança.
A quimioprofilaxia é suficiente para prevenir a malária?
Todas as medidas preventivas são importantes e ajudam a reduzir o risco de contrair a doença. Por isso, também deves proteger-te das picadas de mosquito com um repelente adequado, redes mosquiteiras e roupa clara que cubra os braços e as pernas.
Fonte: www.cdc.gov/malaria/about/faqs.html
RAIVA
A raiva é uma doença viral que afeta o sistema nervoso e pode ser mortal. Por isso, é preciso seguir as medidas indicadas para a prevenir.
Transmite-se através da saliva de mamíferos com raiva, tanto domésticos como selvagens, por uma mordida, um arranhão ou pelo contacto com as mucosas (olhos, boca, nariz) ou feridas abertas.
Um animal com raiva não tem de se comportar de forma estranha.
Está espalhada por todo o mundo, sobretudo na Ásia, África e América Latina. Até em Espanha há risco de transmissão do vírus através de mordidas de morcegos.
Como é que se previne?
EU SEI, É MUITO GIRO… MAS NEM TE OCORRA TOCAR NELE!
Evita o contacto com animais
Apesar de parecerem inofensivos, evita tocá-los, dar-lhes comida, fazer qualquer coisa perto deles (andar de bicicleta, correr) e até mesmo sorrir para eles. Assim, reduz o risco de mordidas.
Fica de olho nos teus filhos
As crianças correm mais risco de apanhar raiva, porque têm mais tendência para tocar nos animais. Fica de olho nelas a toda a hora quando houver animais por perto.
Vacina-te, se for recomendado
As vacinas pré-exposição podem ser recomendadas para alguns viajantes.
EM CASO DE ARRANHÃO OU MORDIDA,
AJA RAPIDAMENTE!
Que animais transmitem a doença?
Todos os mamíferos podem contrair a raiva.
Em caso de mordida ou arranhão, lava a ferida com água e sabão durante 15 minutos e vai IMEDIATAMENTE a um centro médico.
Entre os animais de estimação, os mais comuns são os cães e os gatos.
Na verdade, 99% dos casos são transmitidos por cães.
Quanto aos animais selvagens, os mais comuns são: macacos, guaxinins, raposas, roedores e morcegos.
Todos podem transmitir a raiva, mesmo que, aparentemente, não pareçam doentes.
É uma corrida contra o tempo VITAL. CADA SEGUNDO CONTA!
DADOS ATUALIZADOS SOBRE A SAÚDE EM MADAGÁSCAR (2024-2025)
Malária – endémica em todo o país
Incidência recente: em 2023, estimaram-se cerca de 2,8 milhões de casos em Madagáscar (fonte humanitária/Saúde Pública que trabalha no terreno). A malária continua a ser uma das principais causas de morbidade.
Zonas e época do ano: transmissão heterogénea; mais intensa nas planícies costeiras a leste e a oeste, com picos de casos entre fevereiro e maio (muitas áreas atingem o pico em março e abril). Nas terras altas, a transmissão é mais instável e propensa a surtos pontuais.
Peste (bubónica e pneumónica) – endémica, sob vigilância do IPM
Sazonalidade clássica: a época «favorável» vai de setembro a abril, com a maioria dos casos nas Terras Altas centrais (>700–800 m).
O IPM é uma referência histórica no que diz respeito à peste e publica regularmente artigos sobre o seu caráter sazonal e geográfico em Madagáscar.
Sarampo – surtos periódicos
Depois da grande epidemia de 2018–2019, o país continua a registar surtos em vários distritos. Em 2024, os boletins semanais da OMS/África relataram milhares de casos suspeitos a meio do ano e a persistência da transmissão em várias regiões.
Raiva – endémica (principalmente canina)
O IPM abriga o Centro de Tratamento Antirrábico (CTAR) e confirma que a raiva continua a ser endémica; coordena o diagnóstico a nível nacional e disponibiliza vacinação pós-exposição (sem marcação prévia).
Esquistossomíase (bilharziose) – incidência muito elevada em vários distritos
A IPM informa e trabalha ativamente na área da bilharziose; trata-se de um problema de saúde grave, que se contrai através do contacto com água doce infestada.
Dados recentes de investigação mostram prevalências >de 50% em zonas específicas (incluindo a coinfecção por S. mansoni e S. haematobium), e >de 50% até mesmo em grávidas nas regiões das Terras Altas.
Febre do Vale do Rift (FVR) – zoonose com surtos documentados
Reapareceu em 2021 com surtos em ≥5 regiões; o IPM, o Ministério da Saúde e os seus colaboradores publicaram análises em 2024 que documentam a circulação em humanos e animais, bem como os aspetos entomológicos do surto. Risco associado às chuvas, ao gado e aos mosquitos.
Arbovirose (dengue, chikungunya, zika) – risco e circulação esporádica
O IPM mantém uma linha de trabalho sobre arbovírus. No Oceano Índico, a atividade da dengue e da chikungunya tem sido elevada (Comores/Mayotte/Reunião), com risco para Madagáscar (vetores Aedes presentes, vigilância limitada).
Poliomielite (cVDPV1) – surto recente já controlado
O Madagáscar pôs fim, em 2025, ao surto de poliovírus derivado da vacina do tipo 1 (cVDPV1), depois de ter sido confirmada a interrupção da transmissão através de uma avaliação independente; a OMS/África comunicou-o oficialmente.
Tifoidemia (febre tifóide) – incidência elevada
Estudos multicêntricos na África Subsariana (incluindo Madagáscar) colocam o país entre aqueles com uma incidência de >100 por 100 000/ano; é uma importante causa de bacteriemia febril associada à água e aos alimentos.
Leptospirose – subdiagnosticada, mas presente
Estudos realizados em Antananarivo revelam uma elevada taxa de positividade em roedores e apontam para um subregisto de casos humanos devido a dificuldades de diagnóstico; o risco é maior em zonas urbanas sujeitas a inundações e com más condições de saneamento.
Notas rápidas para viajantes
Época de maior risco de malária: em grande parte do país, de fevereiro a maio (picos em março e abril); na costa leste, o pico ocorre mais cedo (~fevereiro). Usa quimioprofilaxia e proteção contra os mosquitos.
Peste: risco sazonal (set–abr) nas Terras Altas; evita o contacto com roedores/pulgas e procura atendimento urgente se tiveres febre + sintomas respiratórios ou bubões.
Raiva: trata logo qualquer mordida ou arranhão de mamífero; o CTAR do IPM em Antananarivo atende sem marcação.
Água e alimentos: a febre tifóide e outras doenças transmitidas pela água continuam a ser um problema; tem de ter muito cuidado com a higiene e optar por água tratada ou engarrafada.
Principais fontes
Instituto Pasteur de Madagáscar (IPM): peste (sazonalidade/zonas), raiva/CTAR, arbovirose, bilharziose, publicações de 2024 sobre a FVR.
https://www.afro.who.int/fr/countries/madagascar
OMS / Região da África: boletins semanais e comunicados 2024–2025 (sarampo; encerramento do surto de poliomielite cVDPV1 em 2025).
Evidências adicionais recentes: malária (sazonalidade/heterogeneidade), bilharziose (elevada prevalência), FVR 2021 analisada em 2024, incidência da febre tifóide.
Centros de Vacinação Internacional em Espanha https://www.sanidad.gob.es/areas/sanidadExterior/laSaludTambienViaja/home.htm
Descarrega o catálogo: A Saúde Também Viaja
A nossa experiência pessoal
Nos 20 anos em que estamos a operar fisicamente em Madagáscar, tivemos, entre os nossos viajantes, um caso de malária, um de febre tifóide e um de brucelose ao regressarem ao seu país de origem. Todos estes casos ocorreram nos últimos dois anos. Apesar de serem poucos, achamos que devemos sempre dirigir-nos ao Centro de Medicina Tropical mais próximo para obter as informações atualizadas necessárias e tomar todas as precauções possíveis. É da responsabilidade de cada um tomar as precauções sanitárias necessárias para viajar para Madagáscar.
